|
 
[ 30/04/2010 ]
RESENHA
PALCO DO ROCK 2010, 16 ANOS - COMPLETA
Por Cleber Silva

“SEJA VOCÊ A MUDANÇA QUE QUER VER NO MUNDO”
de Mahatma Ghandi
Em sua 16ª edição, o tradicional Festival Alternativo Palco do Rock levou às areias do Coqueiral de Piatã cerca de 35 mil pessoas nos quatro dias de evento, entre 13 e 16 de fevereiro, idealizado e produzido pela Associação Cultural Clube do Rock da Bahia (ACCRBA), com apoio da prefeitura de Salvador, através da Empresa Salvador Turismo (SALTUR) e patrocinado pelo Fundo de Cultura do Estado da Bahia (FCBA/SECULT).
Além dos 34 shows, o público pôde contar com o Espaço Interativo Severino Carvalho Filho recheado de atrações como workshow de Ricardo Primata, baiano considerado entre os melhores guitarristas do Brasil; também teve DJ’s; Vídeo, Música e Poesia com o grupo experimental Improbus Confessus; a atração especial Universo com Verso, vinda da famosa Aldeia Hippie de Arembepe com mais música alternativa; acústico com a banda Portal, Zombie Walk e Rave Zombie com o DJ Eder Rudert, além de apresentações circenses e stands como a Vaca Verde Material Alternativo (oficial do evento), tatuagem e body piercing, preservação ambiental, saúde, massagem, mais material alternativo com a Lohak’s Bottons e a Associação Brasileira de Proteção aos Animais (ABPA/BA). Isso sem contar com o Camping e o 1º Espaço Infantil em festival do gênero, mostrando pioneirismo mais uma vez. Neste ano, o Espaço Interativo foi batizado em homenagem a um dos maiores apoiadores do evento: Severino Filho, que sempre dispõe de muita boa vontade e atenção para o evento.
Tudo começou com as palestras na semana anterior ao evento, na Casa da Música da Bahia. Na oportunidade o baterista das bandas Vendo 147 e Movidos a Álcool, Dimmy Drummer, conversou sobre produção independente e circulação em festivais, mostrando toda sua experiência de 17 anos com a produção independente. Já o cearense Glênio Mesquita, músico e produtor audiovisual, direcionou sua palestra para a produção de videoclipes com baixo custo, mostrando o que pode ser feito para maior divulgação dos materiais das bandas, dando exemplos e exibindo alguns trabalhos de sua autoria, inclusive o da banda Clamus, uma das atrações da quarta noite do festival.
* Cliquem AQUI e vejam FOTOS deste momento!!
SÁBADO - 13/02
A expectativa pelos shows sempre toma conta dos rockers baianos. No Sábado (13/02), no entanto, um problema com a energia elétrica no local, provida pelo órgão público responsável pelo fornecimento na cidade, prejudicou o início do evento no horário previsto, mas não tirou o brilho da noite, que começou com o lendário baterista Dom Lula Nascimento acompanhado da banda Os Attemporais. Muito Jazz Rock de performance atraente da vocalista Shalin Way, sem contar com o documento vivo que é Dom Lula, tendo tocado com diversos nomes da música mundial. Na seqüência a banda Fridha, que foi uma das vencedoras do Oficina Palco do Rock - seletiva que levou quatro bandas novas ao evento -, levou a sua peculiaridade sonora para o palco. Rock com influências variadas e muito sentimento nas vozes de Uilton Bobby e Cris Souza, que sabem como interagir bem com a plateia e fazê-los curtir a cama sonora aplicada para letras sempre muito bem elaboradas. Já a Vivendo do Ócio, uma das bandas baianas mais premiadas e que mais participa de festivais pelo Brasil, tocou para o grande público do PDR e pôde-se notar que muitos já sabiam cantar suas músicas de cor. “Fora, Mônica!”, “Amor em Fúria” e “Hey, Hey”, são alguns dos pontos altos do show dos caras, que ainda conta com forte presença de palco e performance, principalmente do baterista Dieguito.
Dando sequência à primeira noite do festival, direto de Porto Alegre (RS), a banda Redoma se apropriou do palco e fez Cássia Segal, sua vocalista, desfilar afinação, beleza e performance em músicas próprias como “Breve” ou num cover de “Andar na Pedra”, dos Raimundos. O guitarrista Nuclear subiu ao palco vestido com a camisa do Bahia (ou, no popular, Baêa) homenageando um parente baiano, o que levou ao delírio muitos espectadores (exceto esse que vos escreve, torcedor do Vitória) torcedores do clube.
O Cólera (SP) era uma das bandas mais aguardadas da noite. Seu destaque é de impressionar: é a maior banda punk do Brasil e com 30 anos de estrada, diversas turnês no exterior e vários lançamentos não era de se esperar pouco de Rédson, Val e Pierre. “Pela Paz em Todo Mundo”, “Deixe a Terra em Paz”, “Adolescente”, entre tantas outros clássicos do Cólera fez muito fã chorar. Tem discurso, tem punk rock, suor, choro, roda e muito mais. Um show do Cólera é para ser lembrado e relembrado para sempre. Os caras têm o mesmo (e talvez mais) vigor que antes, os pulos de Redson não mudaram, a vitalidade de Val e Pierre impressiona e contagia. Impossível para quem gostar era ficar parado e entender que esse show teria um fim.
Depois do petardo punk do Cólera foi a vez do Karne Krua, de Aracaju/SE. O público parecia cansado e o intervalo entre uma banda e outra revigorou aos poucos para que curtisse o KK. É punk, é hardcore, é protesto, é música extrema, é arte, é história... A banda traz pro palco característica singulares que envolvem muito mais que só a própria música. O discurso do vocalista Silvio é sempre muito bem engajado, principalmente com causas que seus olhos vêem e seu corpo sente com mais frequência. Tocaram um repertório rápido, mas cheio de vigor com músicas como “Rumores de Guerra”, “Antiimperialismo” e “Subversores da Ordem”.
Depois de uma alta dose de música rápida e pesada, a Três Puntos, de Vitória da Conquista/BA, também vencedora do Oficina Palco do Rock, levou ao palco um som alternativo com bases em referências que remetem ao som produzido pela banda Incubus, mesclado com as modernizações que tem tornado o rock mundial mais acessível. Se a banda anterior foi um descanso, a Behavior detonou seu Death/Thrash Metal de pegadas rápidas e performances individuais de alto nível. O som autoral e o poder do vocalista Fabrizio Pazelli em interagir com o público são características que fazem da banda uma das mais cultuadas da cena Metal baiana, uma grata surpresa que pode ser conferida em músicas como “Marching From Hell”, “The Words of Pestilence Winsdom” e “The Cry of my Restless Soul”. O show ainda teve a companhia, ao horizonte, de uma tempestade em alto mar, cheia de raios e trovões, o que serviu de cenário perfeito para a bela apresentação do grupo.
Cliquem AQUI e confiram as fotos do 1º dia !!
DOMINGO - 14/02
Depois de um banho de mar (o Palco do Rock fica à beira-mar da praia de Piatã), caldo de cana para revigorar e algumas horas de sono, o público pôde voltar com energias renovadas para a segunda noite de shows, que já prometia mais um destaque com a presença do público e de bandas que fariam do Palco do Rock 16 um dos melhores da sua história.
Tudo começou com a Mensageiros do Vento, que busca no rock clássico sua referência principal, mas, é claro, sempre atualizando o som com pegadas do conhecido rock brasileiro. O power trio tem se tornado bastante conhecido do público baiano, sempre inovando no que tange as composições, presença de palco e elaboração de shows temáticos.
Em seguida veio a Ignivomus, que parece ter pronúncia complicada, mas é só acentuar o segundo “i” que está tudo certo (“IgnÍvomus”). Segundo o guitarrista Kall Santos, da banda Ulo Selvagem e ex-Sower, “destaque para a banda Ignivomus que fez um show excelente, mostrando maturidade com pouco tempo de palco e evoluindo muito a cada apresentação. Essa banda vai dar muito o que falar”. Tem Thrash e Hardcore lembrando a sonoridade mais antiga em músicas como “Matador de Aluguel”, “O Monstro” e “Ignivomus”, que foi cantada em coro por alguns presentes.
Logo após um petardo, foi a vez do rock com mais balanço. Ênio e a Maloca são macacos-velhos de festivais e desfilam no palco canções com arranjos sempre muito bem elaborados. A guitarra, ora suingada, ora distorcida, dá o tom do som que tem a mescla de várias vertentes para a produção própria. Nem precisavam tocar Metallica. Suas músicas são sempre muito bem-vindas e sempre agradam ao bom gosto. “Não me leve a mal”, “Eletro Entidade” e “Automalocafalante” são alguns destaques do repertório desse paulista radicado na Bahia que junto à sua banda reverenciam o bom gosto musical e a excelente produção independente brasileira.
Depois do CPM22, você sabe onde está Wally? - A próxima banda nem tinha estreado nos palcos do Brasil e já vinha com uma carga de responsabilidade muito grande. O Astafix (SP) tem nos vocais e na guitarra Wally, ex-guitarrista do CPM22. Além dele, Ayka (baixo) já é conhecido do público baiano, pois já tinha se apresentando cinco anos antes no PDR com a Chipset Zero e Paulo Schroeber é guitarrista do Almah. Um time de primeira divisão completado por Thiago Caurio na bateria. A novidade agradou o público soteropolitano e para uma estreia de banda, foi acima das expectativas. O som mudou, Wally agora canta, ou melhor, faz um super gutural nas suas músicas. O carro-chefe é “Red Streets”, com clipe superproduzido, mas ainda têm boas pegadas em “False Eyes”, “Desordem e Retrocesso” e “End Ever”, que dá nome ao debut da banda. O som da banda remete à Pantera, Sepultura e Soulfly. Tudo isso serviu para Sandra de Cássia, presidenta da ACCRBA e vocalista da Ulo Selvagem, afirmar: “Nasce uma grande banda de Metal. Batizamos por aqui e acredito que reverbere muito sucesso pelo Brasil afora e pelo exterior”.
Com o palco já quente de tanta atração boa, chegou a vez do Hardcore do Terceiro Mundo. Sem citar o nome da banda, eu poderia parar de escrever por aqui, pois todos sabem que Rodrigo e Cia. só podem fazer um show potente com energia permutada constantemente. Mas, Dead Fish (ES) é sinônimo de muita gente, discurso engajado e coro... muito coro. Foi assim em “Sonho Médio”, “Zero e Um”, “Canção Para Amigos”, “Queda Livre”, entre outras. A performance de Rodrigo é algo totalmente à parte, sobrando até pro segurança tendo que carregá-lo nas costas enquanto o mesmo cantava. Isso é Dead Fish!
Pioneiros do clone drum brasileiro - Dois bateristas? Na mesma bateria? É instrumental? Sim! Tenho certeza que muitos se perguntaram isso por algum tempo antes de perceber o poder sonoro dessa grande banda baiana. Dimmmy e Glauco espancam a bateria sem dó nem piedade... e é uma só pros dois, inclusive o mesmo bumbo! A Vendo 147 trouxe o rock cru para rockers, mas com recheio tradicional e pesado. Não era instrumental para músico. Era para o público se esbaldar, mesmo que o discurso que muitos gostam de ouvir não faça parte da proposta. Tem guitarra poderosa, riff matador e baixo pulsante. A música "Hell" é bom exemplo, assim como "Satangoz". Para completar, um medley que contou, entre outros, com Hendrix, Black Sabbath e Motörhead. Tudo sem voz e muito bem feito!
Logo depois a Desrroche seria a responsável por levar ao palco mais diversidade, dessa vez com o som Gótico e Industrial de performance detonadora. Dança, pirotecnia, maquiagem, sintetizador, enfim, aos poucos percebe-se que Eric, guitarrista - mais novo entre os já conhecidos Lucius, LexPedra, Gladx e Alê -, já está mais que enturmado na banda e desenvolve o trabalho teatral e musical ao lado dos seus companheiros de banda com muita presença de palco e bons arranjos, principalmente no lançamento do novo single da banda: “Caixa do Segredo”.
Em seguida veio a Andranjos, que se divide entre Petrolina/PE e Juazeiro/BA. Eles têm uma energia contagiante. São três guitarristas e umas pegadas de Funk Metal muito bem elaboradas, além de muito sentimento na interpretação das letras, que sempre tem alto teor verídico, como em “A 200 Km/h”. “Caos” é outro exemplo de revolta e interpretação. Van se expressa bem e chama atenção não só pelo sotaque, mas pela performance de quem está se doando ao máximo pela sua arte.
Já a Dimensões Distorcidas, última banda da noite, trouxe seu som bruto e pesado, mesclando influências da música extrema e da psicodelia. Vestidos como propõe o título do novo lançamento (EP - “Pirata”), a banda levou ao palco o novo vocalista Yelo, que mostrou-se muito bem inserido na proposta da banda, que sempre é sinônimo de bom show. Essa mescla de Death Metal, Hardcore e Psicodelia faz o som da banda ser bastante peculiar em músicas como “Clamor”, “Metamorfoses da Noite” e “Jornada Sem Compaixão”.
Cliquem AQUI e confiram as fotos do 2º dia !!
SEGUNDA - 15/02
Mais banho de mar e caldo de cana para revigorar, afinal de contas, mais dois dias estavam batendo na porta, cheios de atrações e muito rock rock and roll no Palco do Rock.
No terceiro dia de evento, a abertura ficou por conta da banda Buster, mais uma baiana vencedora do Oficina Palco do Rock. Com letras em inglês, fazem o hardcore/skate rock com boa pegada nas cordas e bateria, completando com a voz sempre muito bem encaixada de Thiago Nogueira (não confundam com o renomado baterista baiano). Se não fosse os problemas com o baixo na metade do show, com certeza muito mais mostrariam. Lembrei de uma época bem legal e de um cd chamado Rock Motor, que uma famosa revista brasileira lançou com uma compilação de bandas bem no estilo da Buster.
Na sequência veio o cantor Davi Zew e sua banda. Pop e Rock com pitadas de Folk. Ele usa violão, mas não dispensa a guitarra distorcida e boas pegadas de bateria. Tem o repertório baseado em canções próprias como “Ninguém Mais”, “Mirante” e “Tudo Vai Mudar”, mas não dispensou bons covers de bandas referências do rock britânico e americano.
A noite começou a esquentar com os pernambucanos da Fiddy (PE). Eu diria que eles misturam Korn com Rogério Skylab (sem a escatologia) e Sergio Mallandro. Petardos como “Doce ou Travessura” e “Pirulito na Parede” mostram bem a proposta louca de agradar a quem quiser ser agradado. São nove malucos em cima do palco fazendo um som pesado e influenciado por cantigas infantis, circo e vídeo-game. É uma brincadeira séria... o som é sempre muito bem tocado, apesar das letras.
Logo depois veio a Ulo Selvagem com seu crossover de guitarras rápidas e vocal rasgado femin... ops... cadê Sandra? Acometida por uma crise renal e submetida a uma cirurgia três dias antes, a vocalista não pode subir ao palco com a banda e cumprir todo o setlist. Cantou “Mundo Selvagem” e deu lugar a RayBass e Gabriel Amorim para rasgarem seus respectivos gogós. Em canções como “Sobreviver” e “Não tem Explicação”, percebe-se que a pegada da Ulo tem ficado mais pesada e mais rápida, unindo Metal, HC e Punk Rock. Sandra voltou nas últimas três músicas e fez “Skate”, mais conhecida como “Animal”, ao lado de Rato (ex-Ácaros I.P.A.), e finalizou com "Metrópole" e "Mosh".
Nesse momento, a multidão headbanger baiana se aproximou do palco e lotou a arena de shows. O Korzus (SP) se preparava para começar o show e a ansiedade do público era tamanha até que começa a introdução e eles detonam “Guilty Silence”. A instituição do Metal Brasileiro chamada Korzus estava no Palco do Rock, de graça, pra uma pá de gente ver. Bonito era ver Pompeu chamando os headbangers para cantarem juntos “What Are You Looking For”. Foi uma aula majestosa de Metal. Impressiona a interação total da banda com o público. Ainda rolou “Correria”, “Catimba”, “Internally”, “Respect”, “Agony”... ufa! Será que alguém ainda tinha fôlego? Claro! “Guerreiros do Metal” e a nova “Slavery” também foram executadas, assim como o encerramento com chave-de-ouro ao tocarem “Raining Blood”, do Slayer. Ainda teve tempo pra um “Wall of Death”. Salvador agradece ao Korzus pelos minutos de prazer ao seu som.
Em seguida rolou o Hardcore do Agrotóxico (SP), que é outra banda de enorme qualidade e tem feito sempre muitas turnês no exterior. Eles vieram para Salvador divulgando o CD/DVD (com documentário iasporra!) “Pelos Escombros” e desfalcados do guitarrista Arthur, que segundo a banda não foi liberado pelo patrão e teve que ficar em São Paulo. Houve problemas no som da banda, principalmente o do palco. Algumas pessoas me garantiram que do lado de fora o som tava “pocando” de bom, principalmente os fãs da banda. “Eles Não Vão Parar”, “Fim do Mundo” e “À Beira do Caos” foram algumas das músicas da banda que me fizeram ficar atrás da bateria pogando, enquanto Heros Trench, do Korzus, cantava ao lado do palco.
A sétima banda da noite foi a Elipê, banda baiana de destaque na cena independente e que lançara o novo álbum: “Indústria da Felicidade Humana”. A Elipê é uma daquelas bandas que funcionam tão bem no palco que parece que durou pouco o show e os fãs sempre querem mais. Paula Noyb é muito bem afinada e conduz as canções ora com suavidade, ora com uma espécie de “brutalidade fofinha”, que deixa Didhio, Matheus, Thiago e Dudu livres para seus grandes arranjos. Enquanto eu chamo as caras e bocas de Paulinha de “brutalidade fofinha”, lá no fundo (lá ele!), o baterista solta o rasgado em algumas músicas. Dudu sempre faz intervenções e canta partes de algumas músicas. Destaque também para as versões perfeitas de “ECT”, de Nando Reis e imortalizada na voz de Cássia Eller e “O Quereres”, de Caetano Veloso, além das autorais “Ele e Ela”, com a voz masculina em destaque, e “Meu Mundo”.
As duas últimas bandas eram, ao mesmo, tempo díspares em sonoridade, mas tinham algo em comum: a referência do público. Não que tivessem o mesmo público, mas que compartilhavam de sentimentos semelhantes na hora de reverenciar o artista. Sempre devemos esperar da The Honkers o show mais enérgico, mais pulado e com mais loucuras de Sputter, seu vocalista. Esse ano Thilindão tocou seu baixo só de bermuda e Brust o acompanhou nos pés descalços, a la Luiz Caldas. Achei Bruno menos movimentado que o show do ano passado, mas Léo se mantém bem seguro nas baquetas e Sputter, bem, é um show à parte. Não sei de onde ele tira tanto fôlego e tanta vontade, mas é sempre sinônimo de muita energia. Tocaram “People Love Hate”, a minha preferida, e fecharam com Blitzkrieg Bop, à capela por Sputter.
Já a Keter é uma das bandas baianas de Metal que tem produzido bem nos últimos anos. Tem videoclipe, demo, on line ao vivo, muitos shows e se preparam para o primeiro full-lenght. É banda de gente correria e cheia de vontade de fazer o som que curte e tocar pros seus adeptos. “Insanidade” é uma música destaque, em meu ponto de vista, primeiro por ser em português e depois por ter um (ou uns) riffs poderosos. O vocalista Bawdy melhora a cada ano. Dessa vez ele aumentou a dose de interatividade com seu público, isso sem contar com as performances de Yuri e George, nas guitarras, e Fagner, o novato da banda, no baixo, que também me surpreendeu. A noite findou com a Keter sendo mais um destaque headbanger com seu Thrash/Death, mas a noite seguinte ainda reservava mais momentos de euforia.
Cliquem AQUI e confiram as fotos do 3º dia !!
TERÇA - 16/02
A noite da saideira começou com a Aluga-se, banda que divide seu repertório entre músicas prórias e a grandiosa obra de Raul Seixas. Com direito a Pôr-do-Sol, os Raulseixistas puderam se divertir com grandes sucessos do maior rocker brasileiro de todos os tempos.
Na sequência, a Chá de Pensamento trouxe mais uma mulher no vocal. Foi mais uma banda vencedora do 1º Oficina Palco do Rock e fez seu rock recheado de influências que vão do pop à mpb sem muitas restrições ou firulas. É um som honesto e de qualidade. Não sei por que e não creio em falha da banda, mas executaram “O Quereres”, de Caetano Veloso, assim como a Elipê fez, o que, talvez, coloque em a banda em comparação, mas não acredito que afete o grupo, até porque canções como “Cores” e “Chá na Cabeça” tiveram mais aceitação e são autorais.
Depois veio a Etno (DF), de Brasília. Quando já se gosta de uma banda há um certo tempo, a ansiedade pelo show da mesma, por mais que esteja trabalhando, aumenta. Isso aconteceu comigo. Eu gosto da banda e sou muito suspeito para falar dela, mas tento ser menos parcial possível. Como fã da banda, preferia não ouvir a versão para “Dois Olhos Negros”, de Lenine, até porque eles tiraram “Moi Et Le Monde”, do repertório, mas confesso que gostei da versão. As quatro músicas novas funcionam bem ao vivo. “Filhos de Um Sonho” e “Em Busca do Sol” (essas duas são lançamentos oficiais, as outras duas estão no repertório de show) têm refrões, servem pra dançar e ao mesmo tempo prestar atenção nas letras. Aliás, até quem não curtiu a sonoridade elogiou as letras dos caras, principalmente quando atacam minha classe: “Armados com câmeras, microfones, microfilmes, de uma guerra sem fim”, na música “Guerra Sem Fim”, que eu me esgoelei no meio da plateia para cantar e apreciar um arranjo novo feito para a música, que incidentalmente tem “Youth of the Nation”, do P.O.D., inserida. Enfim, um grande show e novos fãs adquiridos.
A Clamus (CE) endossou o Metal nordestino de maneira rápida e muito bem elaborada. Os cearenses estão divulgando o novo disco, “La Frontière” e foi justamente com músicas desse lançamento que ficou baseado o show, sempre surpreendente pela performance e pelos três vocalistas “frontmen”. É Thrash/Death de influências mais modernas aliadas aos clássicos.
Logo depois veio a Phantom Rockers (EUA). Esses gringos suaram muito, mas fizeram um grande show. A banda foi a responsável por trazer de volta ao Palco do Rock o Psychobilly, tão sumido desde os tempos de The Dead Billies. Com direito a baixo acústico e sonoridade mais pro Punkabilly, a banda demonstrou a maturidade dos mais de 20 anos de estrada em músicas com “Brand New Cadillac”, “Vampire Love” e “Dark Dimensions”.
Depois a Suprema (SP) deu novamente o ar Metal ao evento, só mais pro lado melódico do estilo. Com a impossibilidade do baixista Gabriel Conti em participar do show no PDR, o baixista Celso Campos (Templarius) colaborou com a banda e fez muito bem seu papel. Alguns dos destaques ficam para as músicas “Spyeyes” e “Powermind”, tendo finalizado com “Two Minutes to Midnight”, do Iron Maiden. Foi um show curto por conta da ausência de Conti, mas Douglas Jen, Pedro e Helmut Quacken seguraram a onda de uma das maiores revelações do Metal nacional.
Em seguida a Pastel de Miolos transformou o Palco do Rock, novamente, em uma roda punk. A banda fez os clássicos da carreira de 15 anos, mas também mostrou as novidades do último lançamento, Ciranda (2009) e o mais novo single, Nova Utopia. A PDM é uma banda que me agrada muito, mas tenho a leve impressão de que eles tiraram a mão em Ciranda e tão querendo tirar a mão novamente. Tão investindo em Garage e Punk 77, o que não deixa a banda ruim, é claro, mas que me deixa a procurar um pouco daquela tosqueira de antes, do “punk rock como antigamente”. Dá pra perceber isso em “Sete Sete” e contrapor, por exemplo, com “Ted, Skate e HC”, que foi mesclada com “Skate”, da Ulo Selvagem. Não é que eles tenham abandonado as raízes, até porque eles são assim, sempre experimentam algo, mas é questão de gosto pessoal mesmo. Gosto deles, principalmente com o belo protesto: “Moicano Não Faz Punk”, um libelo contra essa modinha na qual até jogadores de futebol usam o moicano com um mero apelo estético e modista e não mais como uma afronta. Ainda contaram com a nobre participação da Phantom Rockers em Ramones e The Clash.
A Almadória subiu ao palco para encerrar o Palco do Rock 2010 em clima pós-Punk bastante influenciada pelo Joy Division. É bem notória essa semelhança e me arrisco a dizer que a ex-Almas Mortas chega bem perto, mas com a sonoridade que provém de cada integrante produzem o diferencial. As músicas ainda são partes do espólio da antiga banda (ou antigo nome) e alguns destaques ficam por conta de “Café e Cocaína” e “Inverno”, além das poesias sempre bem interpretadas por Robson Sinistro. O clima ficou tranqüilo, poético e à beira-mar o Palco do Rock 2010 foi se despedindo, deixando aquela saudade e desejo de mais, que certamente irá aumentar até 2011, com a décima sétima edição.
O Palco do Rock 2010 se despediu, mas mostrou muito mais força entre os festivais brasileiros e tem se tornado a melhor alternativa no carnaval baiano para quem não está afim de ir atrás dos trios elétricos e gosta de um bom e velho Rock and Roll. Esse fato marcou Marcello Pompeu, vocalista do Korzus (SP): “Antes o carnaval, para mim, era dias de horror. Mas, a partir de hoje carnaval é do ‘cacete’ porque existe, aqui em Salvador, o Palco do Rock”, disse para cerca de 10 mil pessoas presentes na terceira noite.
Nota: As bandas Survive (AC) e Os Irmãos da Bailarina (BA) não fizeram seus shows em suas respectivas datas. A primeira alegou problemas com a aquisição das passagens aéreas de seus integrantes. A alegação chegou muito tarde à produção, impossibilitando o encaixe de outra banda bem colocada na curadoria. Já a banda baiana ficou impossibilitada de tocar por conta de um acidente com seu guitarrista, Ricardo Rilo, dois dias antes do show. Ele passa bem, mas terá que se recuperar por alguns meses até que possa voltar a tocar.
Cliquem AQUI e confiram as fotos do 4º dia !!
|
Arte e Logomarca por Lifeless Design
WebDesign e Mastering por Gabriel Amorim
|